A imagem ilustra a web 2.0, a era mobile, era do cloud e era da inteligência artificial

IA, Startups e Crises: O Que Empreendedores Podem Aprender com Momentos de Inovação

Bati um papo super bacana com um investidor que admiro muito e quero compartilhar alguns dos insights.

Enxergo o Edson Rigonatti como um guru, uma daquelas pessoas únicas que são uma forte referência, tanto de conteúdo quanto integridade e, portanto uma inspiração. Ele não brilha somente no mercado de venture capital <3.

No nosso papo, ele trouxe insights valiosos sobre as eras tecnológicas e como empreendedores e profissionais podem navegar nelas para criar negócios de alto impacto.

Inteligência Artificial: Mais uma Peça no Ciclo de Inovação?

Muita gente vê a inteligência artificial (IA) como um grande disruptor — e é mesmo. Mas, ela não é um “fim” ou uma força completamente inédita, como o hype parece indicar. A IA é mais uma etapa em um padrão que já vimos antes: tecnologias base que facilitam disrupções e criam novas formas de valor.

Vamos recapitular as eras tecnológicas recentes para entender esse ciclo:

Era da Web 2.0: Redes sociais como Orkut e Facebook redefiniram conexões. Quando comecei a empreender tirei bastante proveito dessa era.

Era Mobile: Smartphones trouxeram aplicativos como WhatsApp e Instagram, que mudaram nosso comportamento de forma profunda.

Era da Nuvem: Soluções como AWS e Azure democratizaram o acesso a infraestrutura robusta, permitindo que empresas escalassem rapidamente e pudessem prover software como serviço.

Era IA: Estamos vendo ferramentas como ChatGPT, Notion AI e outras remodelarem como trabalhamos e consumimos informação.

Cada uma dessas eras não apenas transformou o mercado, mas abriu portas para que empreendedores criassem negócios disruptivos. É legal ver também que uma era não extinguiu a outra por completo, e sim proporcionou mais formas de capturar valor.

As 4 Camadas Tecnológicas

Curto demais como o Rigonatti tem a capacidade de sistematizar as coisas. É uma habilidade que admiro! Nesse contexto, ele trouxe para mim as seguintes camadas:

  1. Infraestrutura – Na Web 2.0, tínhamos servidores robustos. No mobile, foram os chips de alta performance, e hoje, na era da IA, GPUs da Nvidia dominam essa camada. Tem como base a Lei de Moore.
  2. Plataforma – já foi a web em si e com a introdução de mais APIs deu origem às web 2.0; sistemas operacionais como iOS e Android como claros players vencedores na era mobile; depois AWS, Azure, Google Cloud se destacaram na era da nuvem; e agora OpenAI, Anthropic e outros criando novas bases para inovação.
  3. Aplicação – apps e games como o Colheita Feliz na web 2.0; Instagram, Whatsapp e Uber são exemplos na era mobile; SaaS e soluções em Cloud como Salesforce, VTex e assim por diante na era da nuvem; e ChatGPT, diversos chatbots, ferramentas como Canva AI, Notion AI e tantas outras que estão surgindo na era da IA.
  4. Transação – nessa camada mais baixa, de mais contato direto com o consumidor final, temos as transações. Aqui estão o e-commerce em si, que cresceu na web 2.0; a compra de apps e in app purchases na era mobile, além da sua atenção/tempo; assinaturas como Netflix e Spotify na era da nuvem e monetização de APIs the AI e outros modelos transacionais surgindo na era de IA.

O ponto-chave aqui? Existem oportunidades (ou, como Rigonatti diz, “alfa”) em todas essas camadas. Saber identificar onde você pode se posicionar é essencial para criar um negócio sustentável e lucrativo.

Existe Espaço para o Brasil na Era da IA?


Confesso que estava preocupada com a posição do Brasil nessa nova era. Afinal, não somos líderes em infraestrutura ou plataformas globais.

Mas, como Rigonatti destacou, o Brasil tem um histórico brilhante em criar negócios de Aplicação e Transação. Isso significa que temos potencial de sobra para startups inovadoras que entendam profundamente as necessidades do consumidor.

Side Note: Startups Brilhantes Nascem em Crises

Rigonatti me lembrou o quanto as melhores safras de startups se originam em momentos de grande desafio, como o que temos passado.

Ao meu ver isso faz muito sentido porque momentos de depressão geram uma escassez de recursos que força os empreendedores a serem mais criativos, resilientes e eficientes.

O mercado também acaba tendo mudanças nas placas tectônicas, gerando novas oportunidades.

Em uma grande crise anterior no Brasil, no período de 2015, 2016, quando nosso PIB teve quedas significativas, tivemos a validação e crescimento de startups como a Creditas, Gympass e 99. Esses momentos, embora desafiadores, criam um ambiente fértil para negócios disruptivos.

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